15 janeiro 2013

Um cinema muito além do entretenimento




Ontem, ao assistir um vídeo comentando os indicados ao Oscar 2013 comecei a pensar em algumas questões sobre cinema. Uma delas está no fato de que sempre vi essa forma de arte como algo que vai muito além do entretenimento. Claro que existem filmes cuja única função é divertir e ao mesmo tempo servir como uma válvula de escape da realidade. Porém, considero impossível e totalmente injusto limitar o olhar sobre o cinema para somente essa função escapista. E esse pensamento vale para todas as outras mídias também.

Não importa qual gênero cinematográfico um filme se encaixe, ele sempre terá algo que faça você pensar, se emocionar, ficar surpreso, tenso ou com vontade de rir. Na verdade, essa máquina mágica capaz de projetar sonhos e criar mundos fantásticos tem o poder de despertar todo um leque de emoções no seu público. É claro que muito disso se deve  a qualidade da obra filmada.

Sobre isso, acho que tecnicamente não existe filme perfeito em sua execução, pois sempre haverá de uma forma ou de outra algo que nossa imaginação irá cobrar a respeito do resultado final, o que não é ruim. Só o simples fato de criar uma discussão sobre um tema ou de fazer as pessoas refletirem sobre o mundo real através de uma ficção já é maravilhoso. Claro que é preciso ter boa vontade e um olhar aberto para enxergar muito além daquilo que os olhos podem ver de forma objetiva. Afinal de contas, cinema é história, vida sendo filmada e interpretada a 24 quadros por segundos  para que acreditemos que aquilo que estamos vendo é real mesmo que por um curto período de tempo.


Para citar alguns exemplos recentes, gostaria de começar falando sobre alguns filmes que tive o imenso prazer de conhecer recentemente. Um deles é Drive, dirigido por Nicolas Winding Refn com roteiro de Hossein Amini. É sobre a história de um dublê de Hollywood (Ryan Gosling), que à noite trabalha como motorista de fugas para criminosos. Ao ajudar o namorado ex-presidiário de sua vizinha (Carey Mulligan) em um golpe que acaba mal ele descobre que há um preço pela sua cabeça. Esse filme é um exemplo de bom cinema justamente por ser algo que nos provoca a examinar as sutilezas da trama. Coisas que se percebem no silêncio de um olhar e nas ações do protagonista que, por sua vez, tenta desesperadamente lutar contra sua natureza violenta. Recomendo tanto pela ótima atuação do ator principal como pela criatividade na construção de cenas marcantes.




Em ``As Vantagens de Ser Invisível``, temos uma adaptação para o cinema do romance de Stephen Chbosky. Dirigido pelo mesmo autor do livro, essa adaptação conta a história de Charlie (Logan Lerman), um garoto tímido de 15 anos, quando este entra no colegial e começa sua jornada de socialização enquanto ainda se recupera de uma depressão. Graças à ajuda de dois alunos veteranos, Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), ele se vê dentro de um mundo totalmente novo e cheio de surpresas.  Há vários pontos positivos a serem destacados nessa recomendação. Um deles está no fato de que se trata de uma história muito bem contada, interessante e ao mesmo tempo emocionante. Mais conhecido por filmes como ``Percy Jackson e o ladrão de raios`` e a última versão de Os Três Mosqueteiros, o ator Logan Lerman consegue entregar uma atuação realmente convincente do personagem. Isto é perceptível nos detalhes que caricaterizam a timidez e a sensação de deslocamento de Charlie tanto no seu modo de falar ou expressar algum sentimento através à forma de olhar.



Com uma história baseada em fatos reais e publicada em um artigo da revista Wired o filme Argo do ator e também diretor Ben Affleck nos mostrou ano passado como a CIA, com a ajuda de Hollywood, conseguiu resgatar seis diplomatas americanos em Teerã com a desculpa de estarem produzindo um filme de ficção cientifica nos moldes de Star Wars. É muito interessante como ele mostra um lado totalmente real da indústria do cinema que é a existência de boatos que, muitas vezes, circulam sobre a existência de roteiros e produções em andamento. De certo modo, acho até que é quase uma brincadeira metalinguística. No entanto, o mais importante é justamente a critica que ele faz de modo criativo sobre o poder de mídias como o cinema e até mesmo a imprensa. E tudo isso com momentos de tensão e suspense muito bem construídos ao longo do filme.

Enfim, esses foram apenas alguns dentre vários exemplos recentes que posso citar com o intuito de mostrar que a conhecida sétima arte vai muito além da sua capacidade de entretenimento, pois, graças a ela, podemos não só nos emocionar como também refletir sobre diversos temas.  

Fonte: Site Omelete

TRAILER:









2 comentários:

  1. Gosto muito do cinema de escape, desses filmes que você assiste apenas para se diviertir e fugir da realidade por algumas horas.
    Mas é inevitável não traçar paralelos com a vida a nossa volta. Afinal, toda forma de arte nasce das influências que vivemos na realidade. No cinema, ou escancaramos essa realidade ou a modificamos a nosso bel prazer.
    E alguns filmes fazem isso de forma brilhante.
    Não vi nenhum desses mencionados por você, mas nota-se a qualidade apenas pela forma sincera como os descreve.

    Abração.

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  2. So nao vi argo mas drive e as vantagens de ser invusivel sao otimos pena q nao foram ignorados pela academia.

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