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23 novembro 2020

Doctor Who 57 anos e uma homenagem em forma de rima

 


Nesse aniversário de Doctor Who faço questão de resgatar da minha linha do tempo rimas que escrevi em homenagem à essa série maravilhosa. Arrisquei em um pouco de tudo, desde a atual Doutora até o momento da regeneração e outras coisas mais. 







23 outubro 2020

O lado cativante de Densha Otoko

 


Com apenas 11 episódios e um especial, Densha Otoko me cativou desde o início. Demorei pra começar a assistir pois nunca tinha visto uma série desse tipo e, talvez, por isso tenha deixado de lado. No entanto, esse medo foi embora rapidamente quando conheci a história de Yamada Tsuyoshi (Atsushi Ito) e sua saga para conquistar o coração de Aoyama Saori (Misaki Ito).

Tudo começa em um trem quando durante a viagem um velho bêbado aparece importunando todo mundo, principalmente as mulheres. Por isso, não é surpresa quando ele escolhe ela como alvo de seu assédio. Yamada se incomoda com isso, mas ele não é nenhum grande herói e por isso se dá mal. É apenas alguém tentando fazer a coisa certa. Mesmo assim, ele recebe agradecimento não só dela como de todos que estavam ali no local.



É a partir desse ponto que a vida de ambos se conecta e, também, que a história ganha impulso. Como forma de agradecimento, Aoyama envia para ele um conjunto de xícaras da famosa marca Hermes. Mal sabia ela que esse se tornaria seu apelido secreto também (algo que comentarei mais adiante) já que é assim que Yamada se refere a ela em um fórum para solteiros anônimo. Por isso, desse paragrafo em diante vou fazer o mesmo chamando-a de "Hermes" assim como o protagonista e seus amigos virtuais o fazem durante toda a temporada. O mesmo vale para Yamada que começa a ser chamado de Densha Otoko (homem do trem em japonês) por conta do seu ato heroico.



Falando nisso, o verdadeiro heroísmo de Densha vai surgindo a medida que ele ganha coragem para falar com ela. Por ter ficado tão encantado com a beleza de Hermes, ele investe em um relacionamento mesmo temendo todas as dificuldades que um Otaku como ele vai enfrentar daquele momento em diante. O problema não está apenas nessa questão do preconceito, esse grande vilão de Otakus e outros tipos pelo mundo, e sim na dificuldade em interagir com uma pessoa do sexo oposto sem medo. Nesse sentido, a série acerta como nunca quando foca na atuação de Atshushi que treme e gagueja com a maior naturalidade do mundo. Seu personagem é mostrado com tanta naturalidade em detalhes como esse que fica difícil não torcer por ele. De certo modo, é como se tornássemos um de seus amigos do fórum. Torcemos, nos emocionamos e ainda somos inspirados por ele.

Sobre esses apoiadores, vale aqui um destaque especial. A série não se preocupa em mostrar suas histórias pessoais e nem desenvolver qualquer trama com eles, exceto algumas exceções pontuais. Sabemos o suficiente sobre cada um e vemos como a coragem do protagonista impacta em suas vidas. É uma troca de energia tão grande que realmente cativa a medida que vamos assistindo cada episódio. Por esse motivo, o clip que aparece junto com a música de encerramento ganha uma importância tão grande por representar como é a nossa torcida por um final feliz para Densha Otoko.


Pensando nisso, acho que esse aspecto da série em especial remete a uma característica de um anime famoso: Dragon Ball Z. Mais precisamente, de um golpe que Goku usa em momentos muito específicos: a Genki Dama. De acordo com a minha memória da fase conhecida como DBZ, Goku usa essa técnica recolhendo a energia da terra e de todos os seres vivos. A diferença é que no lugar de mãos levantadas estão as palavras de incentivo (mesmo com toda a zoeira) e conselhos (bem doidos) escritas para Densha com a melhor das intenções, o que torna tudo mais empolgante.

Apesar de tantas qualidades, Densha Otoko tem seus defeitos. Alguns personagens secundários simplesmente mudam de atitudes, o que causa estranheza pela falta de sentido mas acaba servido como alivio cômico. Além disso, a vida de Aoyama é muito pouco explorada, principalmente seus traumas envolvendo relacionamentos, e isso enfraquece um pouco a personagem que apesar de tudo é muito carismática. Dona de um bom coração, ela se mostra como uma pessoa doce e educada além de ter uma gentileza tanto no olhar como nas atitudes que são únicas. Aliás, são detalhes como esse que fazem com que todos os aspectos positivos da série se sobressaiam e conquistem o espectador sem dificuldade.

Por último, fica a informação de que a história é baseada em um relato real de um internauta que entrou no fórum 2channel pedindo ajuda para conquistar uma garota que conheceu no trem. Como resultado, ele recebeu vários conselhos amorosos. O resto, como dizem, é história que por sua vez já foi adaptada para livro antes mesmo de existir uma série de tv. Enfim, para finalizar esse olhar sobre Densha Otoko deixo meu agradecimento especial para a pessoa que me indicou e anseio em conferir qualquer outra versão que exista desse conto de fadas moderno.

Conteúdo relacionado:

Outros olhares sobre séries

O impacto do incentivo

Sementes da vida

Ursula, uma irmã do coração

Letra traduzida de ending densha otoko (Sambomaster - Sekai wa Sore wo Ai to Yobundaze) - música de encerramento

Livro Densha Otoko- O Homem do Trem

19 outubro 2020

Um olhar sobre os temas de Cobra Kai

 SPOILERS: Esse texto contém spoilers das duas temporadas de Cobra Kai. Leia por sua conta e risco.


Confesso que quando Cobra Kai estreou minha primeira reação era de curiosidade, mas não a ponto de buscar assistir a série o mais rápido possível. Tudo porque Karatê Kid 1, o filme da franquia estrelada por Ralph Macchio que esta produção dá continuidade, nunca esteve entre os meus preferidos dos anos 80. De todos os grandes sucessos dessa década, esse é um dos poucos que não senti vontade de rever mesmo que algumas cenas e outros elementos relacionados, como a música Glory of Love do Peter Cetera, estivessem grudados na memória. Apesar disso, dei uma chance para a série e não me arrependi.



Um dos principais motivos que me levam a fazer essa afirmação é a variedade de temas que Cobra Kai aborda, seja direta ou indiretamente. Não só isso como a série também empolga em alguns momentos com um roteiro que prende a atenção e te faz maratonar uma temporada em tempo recorde. Mesmo não tendo sido o meu caso dessa vez, entendo perfeitamente quem tenha feito isso.

Bom, agora que coloquei todos os pingos nos "is" vou deixar claro qual o meu objetivo com esse texto. De forma descompromissada, pretendo analisar os temas que Cobra Kai aborda e discutir um pouco eles em alguns tópicos.

Resgate nostálgico

Produções que resgatam sucessos dos anos 80 hoje em dia não são nenhuma novidade. Algumas fazem sucesso enquanto outras, apesar de bem-intencionadas, ficam no meio do caminho por vários motivos. No caso de Cobra Kai, o resultado é bem-sucedido quando a série utiliza cenas do primeiro filme e faz uma relação com o que está sendo mostrado na série. E isso acontece seja através de homenagens, referências e até mesmo breves citações. Destaque para trilha sonora com várias músicas que certamente figuram na playlist de quem ainda vive esse período do tempo através delas.

Fonte: DCI
Fonte: DCI


Johnny Lawrence, um homem fora de seu tempo

Anos atrás escrevi um texto sobre estranhamento com a tecnologia no qual usava como exemplo a figura do Capitão América. Hoje em dia se fosse falar sobre isso provavelmente teria o protagonista de Cobra Kai como novo ponto de partida para abordar o tema. Desde o começo quando somos apresentados ao personagem de William Zabka descobrimos que se trata de um homem amargurado e marcado pela derrota no Torneio de Karatê de Karatê Kid 1. Na primeira temporada, há uma sequência que deixa isso claro ao resgatar o momento da derrota dele. Ela termina com ele no chão, derrotado, e corta para os tempos atuais com Johnny dormindo de forma desleixada praticamente na mesma posição. Em outras palavras, é como se independente do tempo a sua derrota estivesse ali mantendo-o no chão sem vislumbre de algo melhor.



Talvez por esse mesmo motivo é que seja fácil entender a sua relação (ou falta dela) com a tecnologia. Apesar de ser mostrada de forma cômica, a sua falta de conhecimentos quando o assunto é notebook, aplicativos, redes sociais, wi-fi é totalmente compreensível. Afinal, para ele, manter-se como um cara dos anos 80 é motivo de orgulho e também, porque não, uma zona de conforto.



O desenvolvimento dos personagens

Vamos ser sinceros. Na grande maioria das produções dos anos 80, como Karatê Kid, a construção de personagens é objetiva e ao mesmo tempo rasa. Sabemos o suficiente sobre eles e ficamos com várias lacunas sobre o background deles. Na história do filme, Daniel Larusso é o mocinho. Um garoto que veio de outra cidade, se apaixona pela namorada do valentão do colégio e sofre com a violência dele e de seus capangas. Johnny Lawrence, o valentão e vilão (adjetivos que até rimam, mesmo de forma não intencional) da vida do mocinho. Na série, isso vai além ao mesmo tempo que respeita essa base. Os dois continuam sendo antagonistas um do outro, mas também tem suas histórias pessoais melhor desenvolvidas. Entendemos melhor o lado do Johnny, mesmo que não concordemos com algumas coisas. Em certos momentos, até torcemos por ele pois sabemos que no fundo ainda há um bom coração ali.



De forma técnica, a produção de Cobra Kai soube mostrar bem como é diferente a vida de ambos. Enquanto nas cenas na casa de Daniel temos planos mais coloridos e abertos o mesmo não ocorre com Johnny. Sua vida é mostrada através de planos mais fechados, sem muita luz ou cor. Curiosamente, quando ele está construindo o seu negócio isso muda.

Bullying e a inversão de papeis

Engana-se quem pensa que Cobra Kai se restringe ao saudosismo e ao desenvolvimento de personagens. Com a apresentação de personagens novos e jovens, a série aborda temas que hoje em dia são mais discutidos e não apenas pano de fundo para filmes dos anos 80. Nesse sentido, Miguel Diaz (Xolo Maridueña) e Falcão (Jacob Bertrand) acabam representando diferentes facetas de quem sofreu  bullying e agora tem como pagar na mesma moeda. Enquanto um utiliza os ensinamentos para se defender e atacar seus opressores o outro se torna um valentão de forma praticamente instantânea. É como se tivesse obtido um grande poder que não traz consigo nenhuma responsabilidade. Na verdade, vai muito além disso. Miguel também se torna uma espécie de valentão, mas com a diferença de ainda ter um caminho de redenção. Já seu amigo Falcão, por outro lado, parece ser o que podemos chamar de fruto do ódio acumulado.




Karate Kid 4, mulheres e...Doctor Who?

Em um dado momento da segunda temporada, Falcão baixa a guarda e se permite conversar rapidamente com seu ex-amigo Demetri (Gianni Decenzo) que lhe conta sobre as mudanças recentes e significativas em Doctor Who. Para quem não conhece a série britânica da BBC, fica aqui uma rápida explicação sobre o protagonista. O personagem pertence a raça dos timelords (Senhores do Tempo) e atende pelo nome de O Doutor. Toda vez que está prestes a morrer, seu corpo se regenera. Ele troca não só de rosto como de personalidade também. Recentemente, O Doutor passou pela sua 13º regeneração que agora é uma mulher (Jodie Whittaker).

Bom, na cena em questão Demetri comenta sobre a mudança alguns segundos antes de O Falcão ver seu ex-namorada beijando outra garota. Nesse mesmo episódio, a rivalidade entre Samantha LaRusso (Mary Mouser) e Tory Nichols (Peyton List) fica mais acirrada como um prenúncio do que estaria por vir no final da temporada.

Pensando nisso, não há como esquecer de que a franquia Karatê Kid já teve em seu quarto filme uma protagonista, Julie Pierce (Hilary Swank), que assim como Daniel-san aprendeu Karatê com o Sr. Myagi. Fica a expectativa para que em uma terceira temporada seu personagem retorne de alguma forma ou haja alguma referência mais clara a ela, algo que seria muito interessante e bem-vindo para uma série com poucas personagens femininas.

 


Encerrando...

 

Esse foi o meu olhar sobre os temas abordados em Cobra Kai, uma série que com certeza foi um prazer ter conhecido. Gostei como a produção respeita suas origens, acrescenta camadas à franquia e ainda expande seu universo através do elenco novo. Por último, recomendo no final do post alguns conteúdos relacionados (entre outras coisas também) que, por sua vez, trazem uma nova abordagem sobre as duas temporadas. 

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