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27 dezembro 2010

O fim de uma era na televisão brasileira



Certa vez escrevi sobre como a rotina programa a vida da gente de tal modo que nos sentimos como personagens de um filme ``atuando`` de acordo com um roteiro sempre igual. Acredito que o mesmo possa se dizer a respeito da nossa relação com a televisão, em especifico os programas de auditório que, por sua vez, tem como figura central o apresentador. Alguns deles estão há tanto tempo na televisão que a gente acaba se acostumando a eles como se fossem pessoas da nossa família. E isso não é uma afirmação minha somente. Lembro de há muitos anos atrás ter lido sobre isso na coluna da Xênia Bier.

Você se acostuma com bordões ou frases marcantes do tipo ``Quem quer dinheiroooooo``, ``Ô louco meu``, ``Loucura, loucura``, ``Domingooooooooooo legal`` ou então o jeito carinhoso de Hebe Camargo de dizer ``Gracinha``.  E é com uma certa sensação de estranheza que falo sobre ela neste post. Nunca fui um telespectador tão assíduo dela, mas confesso já assisti algumas vezes ao programa dela e gostei. E talvez por causa disso é que me sinta um pouco estranho por ter assistido agora a pouco o programa de despedida dela do SBT.

É fato que seu nome sempre será lembrado seja pela sua trajetória na emissora de Silvio Santos ou pelo marco histórico que ela representa por ter participado dos primeiros anos da televisão brasileira. Seu carisma, senso de humor único, criatividade e talento como comunicadora são algumas das várias qualidades que ela tem e que com certeza servem de lição para muitos colegas de profissão.

Particularmente, considero uma pena sua saída do SBT tendo em vista que uma parcela muito grande do seu público construiu sua identificação com ela através dos programas exibidos por lá. Afinal, não haveria lugar melhor no mundo para o encerramento da sua carreira. É claro que vendo pelo outro lado da moeda têm-se o fato de que as constantes trocas na grade de programação da emissora atrapalham e muito a oportunidade de se fazer um bom trabalho. É preciso tempo e paciência para que certas idéias dêem certo e que o público se acostume com elas. Também é igualmente fundamental saber ouvir o público sobre o que é legal, apropriado e interessante em determinada atração. Infelizmente, o que acontece é justamente o contrário. Uma guerra pela audiência que mais se parece um jogo estratégico em que não há escrúpulos a respeito e quais são as melhores cartas a serem usadas e nem quando usá-las.

Sem sombra de dúvida a vida televisiva desse nome tão importante dos meios de comunicação continuará brilhando aonde quer que vá mesmo que não seja da forma merecida. Afinal, sua história já está marcada em lugar cativo no imaginário televisivo.